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Cabelaria aposta no corte de cabelo conforme a personalidade do cliente para ganhar espaço

Explorando o conceito do visagismo, Cabelaria mantém clientela fixa e tem até fila de espera

Por: ROBERTA CARDOSO

cabelaria

Salões de beleza costumam ser ambientes propícios para bater papo ou até mesmo fazer uma espécie de terapia informal com os profissionais. Basicamente, um passatempo enquanto unhas ganham camadas de esmalte e os cabelos estão sendo tratados ou cortados. Porém, na Cabelaria, um salão de beleza localizado na Zona Oeste de São Paulo, a saliva não é gasta à toa. Com uma proposta que se difere de boa parte dos estabelecimentos do mesmo ramo, o local aproveita a interação com os clientes para definir o corte que mais se adequa a personalidade do cliente ou então com o que ele quer comunicar pela sua aparência. O conceito, conhecido como visagismo, foi colocado em prática pelo cabelereiro e empresário Andre Mateus.

"Eu procurava uma forma melhor de me entender com o cliente, de entender quais são as necessidades e aspirações deles. Passei a observar que muitas vezes o resultado era positivo, ficava bonito, mas a cliente não se sentia ela mesma", conta Andre, 35 anos de idade e 21 anos de profissão.

Oriundo de uma família que sempre esteve ligada ao setor — seu avô foi barbeiro e o pai cabeleireiro —, André não teve dificuldades em aprender a técnica. Passagens por salões de beleza renomados de São Paulo o ajudaram a lapidar o conhecimento. Mas a ideia de abrir um negócio nesse segmento aplicando o conceito do visagismo só veio mais tarde, quando conheceu Philip Hallawel, autor do livro Visagismo Harmonia e Estética (Editora Senac).

Fundada em 2006, a Cabelaria investiu no visagismo — já conhecido no Brasil, mas pouco explorado. Para aplicar o conceito e garantir um resultado satisfatório, Andre teve que quebrar algumas "tradições" comuns em salões. "Fui entendendo que num ambiente de salão comum você não tem o ambiente para fazer perguntas", conta. E como a conversa entre cliente e cabelereiro é fundamental para o resultado, o jeito encontrado por ele foi criar espaços com mais privacidade, onde o profissional pode conversar com o cliente sem expô-lo. "Optei por não ter manicures. Tirar uma conveniência e uma importante fonte de receita foi radical", conta. Mas funcionou. "Só de propriciar esse cenário a cliente já começa a entender que esse processo de investigação não é um mero bate-papo. A gente não está buscando informações por curiosidade", ressalta.

Há sete anos, a Cabelaria atrai clientes dispostos a pagar R$ 250 reais por um corte com Andre Mateus, que atende em média 12 pessoas por dia e vive com a agenda apertada. Quem optar por outros profissionais o preço cai para R$ 140. E não há a clássica diferença de preço entre corte masculino e femino. "Um corte normal leva 20 a 30 minutos. Com o visagismo é diferente. O primeiro agendamento é de uma hora, onde é feito uma leitura do rosto, o que ajuda muito a identificar o que a imagem atual provoca. Assim, a propria cliente pontuando o que pode ressaltar ou suavizar de caracteristicas", explica.

Ao apostar "na qualidade de tempo", como define, a Cabelaria construiu uma base sólida de clientes e divulgadores. E também interessados em replicar o modelo. No entanto, Andre mantém os pés no chão. "Para montar uma outra unidade o negócio precisa de mais uns 3 anos de amadurecimento. E ainda assim eu teria que desmembrar a equipe para assegurar que o padrão de qualidade será mantido", diz.

 

 

Fonte: Estadão