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O espírito empreendedor

Por Sofia Costa Quintas, Diretora-geral da Ask For Alchemy

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O século XXI trouxe consigo muitos desafios económicos que colocaram o empreendedorismo no topo da agenda. A sua importância tem vindo a surgir como um tema central nas discussões sobre a recuperação das economias. Os empreendedores e os pequenos negócios ajudam a criar novos postos de trabalho e são os pioneiros de mudanças que ditam as novas leis do mercado.

Ser empreendedor é um desafio que muitos ambicionam, mas que poucos estão preparados para enfrentar.

A travessia é feita de muitas hora de trabalho, de altos e baixos e do confronto com muitas situações limite do ponto de vista financeiro e emocional. É uma opção que exige uma grande dose de sacrifício pessoal. Só consegue fazer esta viagem quem for movido por um sonho.

O que move o empreendedor não é o dinheiro; não pode ser, porque a caminhada é longa e as sementes que se plantam demoram tempo a dar frutos. É mais fácil a segurança de um ordenado ao final do mês. O que o move é a vontade de perseguir um sonho; de fazer a diferença. Por isso, são eles que mudam o rosto das economias e com isso o rosto do mundo.

Sem o espírito aventureiro dos empreendedores, o mundo seria um lugar diferente.

Nos EUA, eles são assumidamente uma fonte significativa de empregabilidade. O ritmo e a velocidade a que, nesse país, nascem companhias inovadoras e com um crescimento rápido, é muito elevado, especialmente quando comparado com a realidade europeia.

As razões da discrepância são várias e não se prendem apenas com a dimensão do mercado, até porque o mercado hoje é global. Atitude é a palavra mágica. O espírito empreendedor começa na liberdade para ousar, arriscar e errar. Nos EUA, os empreendedores são vistos como heróis que ousaram arriscar. Mesmo que falhem, merecem uma segunda e uma terceira oportunidade, até conseguirem. E são muitas as histórias de empresas globais que falharam no início e se reinventaram até encontrarem a fórmula correta. A estes empreendedores, o que lhes é dito é: "Sonha alto e não vaciles perante a adversidade".

Na Europa, e em Portugal, é mais assustador ousar e arriscar, porque aos empreendedores é-lhes pedido que sejam contidos nos seus sonhos e é-lhes apontada uma espada quando falham. Dificilmente lhes é dada uma segunda oportunidade.

Num cenário em que a capacidade da economia para gerar emprego jovem é cada vez menor, é vital mudar esta mentalidade, começando nas universidades. Falo por experiência própria, porque estou a montar um negócio que se pretende que tenha uma escala global, que está a ser lançado nos EUA e noutros países da Europa. Deste lado do Atlântico, puxam-me para trás pelo braço, sussurram-me ao ouvido que eu tenho de ser mais comedida nos meus sonhos e apontam-me uma lista exaustiva de tudo o que pode correr mal. Do outro lado do atlântico, seguram-me na mão e pedem-me para olhar para cima, para um mundo ilimitado de possibilidades. Dizem-me "Sonha alto. Continua a ser corajosa. Estamos aqui para encontrar soluções que te ajudem a lá chegar".

E, quando algo não funciona, dizem-me "vamos tentar outra solução". É dessa força, que me põe a olhar para cima nos momentos de adversidade, que retiro energia para continuar. Eles venceram. Escolhi acreditar no impossível.

Fonte: OJE