Notícias de Beleza

Amamentação: amor e saúde

amamentacao

Todos sabem da importância do aleitamento materno para a saúde do bebê. A amamentação pode trazer benefícios afetivos e consequências altamente positivas para a vida futura da criança. Mais do que isso, a mamãe também sai ganhando com a prerrogativa.

Por  

No entanto, apesar de todas as informações difundidas a respeito, ainda é preciso conscientizar as pessoas sobre a necessidade do aleitamento materno. A Sociedade Brasileira de Pediatria - SBP empreende muitos esforços com esse objetivo, ante a realização de campanhas de forte alcance na mídia. Também a comunidade médica, em sua grande maioria, trabalha no sentido de esclarecer mamães, familiares e sociedade sobre os inúmeros benefícios alcançados com a amamentação.

A mensagem do aleitamento
Daniel Becker é pediatra com atuação de mais de 20 anos. Médico da UFRJ e Mestre em Saúde Pública, é um dos difusores da mensagem do aleitamento materno no Brasil. "Já se sabe a indiscutível superioridade do leite humano para o bebê e a mamãe, comprovada por inúmeros estudos. O que precisamos entender agora é por que há tantas mulheres que não amamentam. Existem razões históricas, mas também temos que reconhecer a pressão de mercado exercida pelas empresas de leite em pó e suas poderosas estratégias de marketing. Através da influência junto aos próprios profissionais de saúde, criam mensagens que podem minar a confiança da mulher em sua capacidade de amamentar exclusivamente", manifesta. A respeito, Becker destacou que muitos pediatras são militantes da causa do leite materno, mas também assinalou que "persistem problemas, como a forte associação da própria sociedade com uma indústria de leite em pó".

Certamente há muito a se fazer. Foi pela causa, justamente, que Daniel Becker escreveu recentemente em seu site sobre "Amamentação no século XXI", frente aos novos desafios da mulher. O médico também enfatizou a necessidade de se apoiar a mãe lactante: "É preciso que família, obstetras e pediatras interajam com a mulher no referido período, quer com afetividade, quer com apoio funcional para a exigente etapa dos primeiros tempos do recém-nascido". A esse respeito, Becker lembrou o excelente trabalho desenvolvido pelas consultoras de lactação - psicólogas, enfermeiras e outras profissionais de saúde -, que se especializam naquilo que, nesse enfoque, é o mais importante na sua opinião: o apoio à mulher. Segundo o pediatra, a ação das consultoras promove um estímulo valioso para as mulheres amamentarem.

Daniel também destaca a importância da rede de bancos de leite existente no Brasil, "um recurso público inestimável". E ressaltou que tal rede é premiada mundialmente em vista de seu trabalho.

Benefícios do leite materno para o bebê
Dentre os benefícios oferecidos ao bebê pelo leite materno (LM), Becker cita: melhor desenvolvimento cognitivo (inteligência) - conforme demonstrado por estudos consistentes; menor risco de problemas psicológicos, de aprendizado e de comportamento; prevenção de infecções como otites, pneumonias e diarreias; prevenção contra alergias, obesidade e arteriosclerose, entre outros problemas. Por tudo isso e vários outros benefícios, para os bebês amamentados há maiores possibilidades de vida melhor no futuro.

Vantagens para a saúde da mamãe
Dentre as vantagens para a mãe, pediatras destacam a questão afetiva, no fortalecimento dos vínculos com a criança, o que sempre gera mais segurança para a mãe, que sente com isso o quanto é necessária, além da sensação de proximidade e calor proporcionada ao bebê - como lembra a pediatra Júlia Salgado, que atua no Hospital Municipal Souza Aguiar.

A médica também ressalta a vantagem do retorno da mulher ao peso pré-gestacional, já que a produção de leite leva a importante gasto de calorias - e a mulher pode recuperar, de fato, a sua antiga forma. Ela sinaliza para alguns aspectos altamente benéficos:

- Em curto prazo: é evitado o risco de hemorragia pós-parto; estímulo para o retorno do útero ao tamanho normal; proteção contra a mastite (infecção nos seios);

- Em longo prazo: valiosa prevenção contra o câncer de ovário e o de mama.

Primeiros tempos com aleitamento materno
Como é possível avaliar se o bebê está se alimentando o suficiente, no caso da opção exclusiva pelo leite materno nos primeiros seis meses (esta é uma preocupação de muitas mamães-de-primeira-viagem)? Daniel Becker esclarece: "Verifica-se que o bebê está bem alimentado pelo peso, pela felicidade e pelo seu claro bem-estar. Se ele está feliz, saudável, se está crescendo e se desenvolvendo bem, nada mais é necessário até os 6 meses".

Alimentação complementar
Júlia Salgado lembra que a amamentação exclusiva com leite materno é, inclusive, recomendada até os 6 meses de idade pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

A partir dessa idade, a alimentação complementar deve ser iniciada, com base principalmente em frutas, legumes, verduras, cereais e leguminosas. A pediatra explica que cada alimento deve ser inserido na alimentação isoladamente, com intervalo de três dias entre os itens, para que, em caso de alergia, se torne possível a identificação do agente causador. Ela detalha: "Devem ser evitados alimentos com conteúdo alergênico, tais como peixes, ovos e amendoim. O mel, particularmente, deve ser evitado até o primeiro ano de idade".

Tempo de amamentação indicado
Daniel Becker esclarece que após a idade de 2 anos / 2 anos e meio a amamentação pode representar uma dificuldade natural na progressão da relação mãe e filho. Na opinião do pediatra, eles (mamãe e bebê) têm que descobrir outras formas de se relacionarem. Isso porque "o seio materno se tornaria excessivo depois da referida idade, denotando uma relação simbiótica que precisa ser atualizada".

Júlia Salgado também fala sobre a relação mamãe-bebê nesse período: "A partir dos 2 anos é preciso que a criança saia da fase oral e desconecte a ligação entre seio materno e segurança / carinho".

A médica realça os possíveis comprometimentos quanto ao desenvolvimento psíquico infantil, impedindo o desligamento evolutivo e gradual do binômio mamãe-bebê. E complementa: "Os bebês que se mantêm ligados ao seio materno após essa idade podem se tornar adultos inseguros, ansiosos e dependentes emocionalmente".

Campanhas realizadas no Brasil
A pediatra Júlia Salgado também falou sobre as campanhas de conscientização realizadas no Brasil e os movimentos socioculturais no sentido de apoiar a mulher nessa importante fase. Ela informou que foi no ano de 1980 que se iniciou no país o Programa de Incentivo ao Aleitamento Materno, o que permitiu uma conscientização mais ampla sobre a importância de amamentar. Para a médica, tal marco teria sido fundamental para tornar a sociedade um ambiente mais favorável para a inclusão e a expansão do aleitamento materno. Ela também ressaltou outros importantes momentos sociopolíticos para a causa:

"Em 1988, houve a regulamentação da licença-maternidade pela CLT, possibilitando que a amamentação fosse garantida na nova sociedade de mulheres no mercado de trabalho. Pouco mais de uma década depois, precisamente em 1999, foi implementado o Hospital Amigo das Crianças. E há, ainda - entre outros eventos importantes - a Semana Mundial do Aleitamento Materno, ocasião em que são relembradas as vantagens da amamentação, com participação ativa da sociedade".

A médica finaliza seu depoimento comunicando importantes alcances na área. Ela informa que, com o passar do tempo, foi registrado um importante aumento nos dados da prática do aleitamento materno no Brasil. Em consequência disso, ocorreu uma feliz queda nos índices de mortalidade infantil. E ela fornece dados estatísticos gerais sobre a evolução da amamentação no país: "Em 1986, no Brasil, a porcentagem de crianças amamentadas apenas no peito até os 4 meses era de 3,6%, aumentando para 35,6% em 1999".

Literatura médica / Sugestão de leitura
O pediatra Daniel Becker produziu e disponibilizou, em seu site - Pediatria Integral -, cinco capítulos sobre a questão do aleitamento materno, com um breve histórico do século XIX até os dias atuais. Em seus textos, o médico elucida as principais dificuldades encontradas pela mulher no momento da amamentação; ele também contextualiza a mãe do século XXI, focando a solidão da mulher e suas necessidades na vivência da maternidade no complexo universo contemporâneo.

Becker - que já participou de treinamentos e cursos sobre o tema no Brasil, nos EUA, na França, em Israel, na Tailândia e na Inglaterra - foi pediatra da organização Médicos Sem Fronteiras (em campos de refugiados na Ásia). A partir de então, sempre reforçou a importância do aleitamento materno no mundo e a necessidade de uma conscientização cada vez mais ampla da sociedade.

 

 

Fonte: Yahoo