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Notícias de Beleza

Como o padrão de beleza atinge as crianças

Por Arthur Henrique Chioramita

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Eu vivo escrevendo sobre os padrões irreais de beleza a que as mulheres estão expostas e a frustação a que a grande maioria delas está fadada a vivenciar na tentativa de alcançá-los. Na luta contra essa história, costumamos culpar a mídia, as revistas, a sociedade e todos os outros agentes sem rostos que perpetuam a ideia de que para ser bonita a moça tem que ser alta, magra e ter cabelão liso. Mas pera aí, só eles? E nosso papel na propagação desse modelo de feminilidade?

Comecei a pensar nisso depois que uma amiga veio conversar comigo preocupada com o comportamento da filha, uma menina linda e inteligente de 4 anos. A pequena, ao se encontrar com a namorada do tio em um almoço de família soltou um sonoro "Nossa, como você está gorda, mas eu gosto de você mesmo assim". Passado o constrangimento diante da rude sinceridade da criança, minha amiga começou a se perguntar de onde a filha tinha tirado a ideia denque afeto tem alguma coisa a ver com peso. Afinal, ela disse gostar da tia mesmo ela estando gorda. O que nos permite concluir que pessoas acima do peso seriam, de alguma forma, menos merecedoras de amor.

Não, gente, não é neurose. O lance é bem sério. Porque não estamos falando de uma adolescente bombardeada por mensagens vindas de todos os lados dizendo que ela tem que ser magra para conquistar o gatinho da escola ou para usar as roupas da moda. Estamos falando de uma menina cuja maior preocupação diária é decidir qual personagem de Monster High ela quer ser. Uma garota que nunca foi incentivada a perder peso ou mudar seu corpo ou seu jeito para se encaixar em qualquer padrão. Uma criança criada em um ambiente plural e tolerante, educada para entender que a diversidade é algo natural. Ainda assim, de alguma forma, a semente daqueles padrões odiosos de beleza foi plantada nela. A pergunta é: como?

Enquanto minha amiga surtava tentando entender de onde a filha tinha tirado aquela ideia, ela se deparou com o texto em que a escritora australiana Kasey Edwards conta como aprendeu com a mãe os conceitos de beleza e de como ela não se encaixava neles. Foi então que minha amiga percebeu que estava fazendo a mesma coisa com a filha sem perceber. Apesar de nunca dizer à menina que ela precisava ser magra, minha amiga estava de dieta, não para ficar mais saudável, mas para ficar bem de biquíni, afinal o verão se aproxima. Apesar de todos os dias da menina que era ela linda, minha amiga continuava dizendo que precisava ser magra.

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Imaginem que tipo de mensagem isso passa para uma criança de quatro anos que enxerga na mãe não apenas um espelho do que ela é, mas um modelo de tudo aquilo que ela quer ser quando crescer. Se essa mulher que representa tudo o de melhor que um ser humano pode ser diz que precisa ser magra, quanto tempo vai demorar para a menina passar a acreditar que quanto menos peso a pessoa tiver melhor ela será? Ao perceber isso, minha amiga mudou a forma como se relaciona com o próprio corpo para que a filha aprendesse a se relacionar com o dela de um jeito mais saudável. Foram embora os esforços para emagrecer. Ficaram as práticas que reafirmam a beleza que ela e a filha possuem.

Longe de mim colocar mais carga nas costas das mulheres. Vocês já carregam culpas demais e não pretendo aumentar esse fardo. Vejam bem, minha amiga não é nenhuma maluca que faz regimes absurdos ou outras loucuras em busca de um corpo escultural. Ainda assim ela dizia a filha, todos os dias, que era preciso ser magra. Não com palavras, mas com suas atitudes. O que eu quero dizer é que o papel de criar seres humanos melhores para um mundo melhor é nosso e os valores que transmitimos às nossas crianças são centrais nesse processo.

Os pequenos são máquinas de copiar prontas para replicar as palavras, atitudes e crenças dos adultos que os rodeiam. Por isso, temos que tomar muito cuidado com tudo aquilo que dizemos e fazemos, não só para eles, mas na presença deles também. Mesmo com toda a atenção, não há como garantir que apenas mensagens positivas sejam passadas. Mas é importante que nos esforcemos para diminuir esse risco ao mínimo. Dá trabalho? Muito mais do que vocês imaginam. Vale a pena? Com certeza. A ideia de que nossos filhos se tornarão adultos mais felizes e mais saudáveis emocionalmente vale o esforço.

*Tá com dúvida se casa ou compra uma bicicleta? Não sabe se liga ou não para o pretê do escritório? Precisa de uma dica de receita para impressionar os amigos? Tem alguma história boa para dividir? Quer jogar conversa fora? Manda um e-mail para O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. . Quem sabe eu não tenho um bom conselho para te dar.

Fonte: Yahoo