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Planos de saúde terão de cobrir exames para 29 doenças genéticas

Teste de Angelina Jolie, de gene ligado a câncer de mama, está entre eles.
Exame que identifica risco de filho ter hemofilia também será coberto.

Mariana Lenharo

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Exames indicados para 29 doenças genéticas passarão a ser obrigatoriamente cobertos pelos planos de saúde. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou nesta quinta-feira (12) os critérios para indicação e uso de 22 procedimentos que servem para identificar ou avaliar as doenças, além de mensurar os riscos de o paciente vir a desenvolvê-las.

Entre os exames incluídos estão os que identificam mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, que determinam a presença da síndrome hereditária de câncer de mama e ovário. Esse exame ganhou notoriedade este ano por causa da atriz Angelina Jolie, que resolveu retirar as mamas para diminuir as chances de desenvolver câncer. Por meio desse exame, ela sabia que tinha uma chance aumentada de desenvolver a doença nas mamas.

Os testes também devem beneficiar o diagnóstico e tratamento de doenças como hemofilia, mucopolissacaridose, osteogênese imperfeita e síndrome de Prader-Willi.

Segundo a ANS, a cobertura de alguns procedimentos genéticos já era obrigatória, porém não havia diretrizes que definiam a utilização dessas tecnologias. As normas publicadas nesta quinta-feira fazem essa definição e ampliam a cobertura, incluindo exames mais complexos. Além disso, determinam que esse tipo de teste deve ser solicitado exclusivamente por um médico geneticista.

Para a presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM) e médica geneticista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Lavínia Schüler, a inclusão representa um avanço. "As doenças genéticas atingem praticamente 5% da população. O que acontece hoje é que, não havendo exames adequados, o diagnóstico demora e o tratamento também demora a iniciar, podendo haver sequelas em longo prazo."

Nem todos os exames que passarão a ser cobertos envolvem sequenciamento genético. Alguns são testes bioquímicos que analisam substâncias presentes na urina ou no sangue, por exemplo, que podem sinalizar alterações metabólicas presentes em algumas das doenças.

Câncer
Além do teste para identificar as mutações que aumentam o risco do desenvolvimento do câncer de mama, as diretrizes também preveem um exame que detecta a síndrome de Lynch, que aumenta os riscos de câncer colorretal.
A médica Júnea Caris de Oliveira, do Departamento de Oncogenética do Hospital de Câncer de Barretos, afirma que no caso de pessoas que desenvolvem essa doença com menos de 50 anos, é indicado que se faça um exame no tumor para determinar se o paciente pode carregar a mutação genética. Em caso positivo, a família também deve ser investigada.

"No caso dos genes BRCA 1 e 2, quando a mulher detecta a mutação, ela optar por fazer uma mastectomia profilática para ter um risco menor de desenvolver câncer. Já no caso do câncer colorretal, o exame pode ajudar no aconselhamento genético da família e também determinar uma mudança no tratamento em relação à indicação de quimioterapia", diz Júnea.

Hemofilia
Os planos também terão de cobrir procedimentos para identificar a presença dos genes relacionados à hemofilia A e hemofilia B. A médica hematologista Margareth Ozelo, diretora da Divisão de Hemofilia do Hemocentro da Unicamp, explica que os testes não são utilizados para diagnóstico do próprio paciente, mas para aconselhamento genético no caso de pessoas que tenham histórico familiar da doença e que queiram ter filhos.

"Quando a mulher tem o gene, caso ela tenha um menino, existe um risco de 50% de ele ter hemofilia. Com essa informação, ela pode decidir se deseja engravidar ou não", diz Margareth. Caso a mulher decida por ter filhos, ela pode optar por uma fertilização in vitro na qual é possível selecionar embriões livres da doença.

Fonte: Bem Estar