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Presidente do Sebrae fala sobre empresas nas favelas

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Luiz Barreto, presidente do Sebrae Nacional, mostra dados de pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular que mostra que dos 11,7 milhões de brasileiros que vivem em favelas, cerca de 20% vivem economicamente de pequenos negócios. Destes, 64% informaram que estão indo bem ou muito bem na atividade. Outros 30% avaliaram o andamento dos negócios como estável e 90% dos empreendedores nas favelas esperam manter ou expandir os negócios nos próximos 12 meses

Por Luiz Barreto, presidente do Sebrae Nacional

O aumento de renda registrado nos últimos anos e o mercado interno de mais de 100 milhões de consumidores criam uma conjuntura muito positiva para as empresas no Brasil. A inclusão recente de 40 milhões de pessoas na classe média é uma oportunidade que estimula o consumo e a abertura de negócios. Um exemplo claro desse processo é o retrato atual dos pequenos negócios nas favelas, onde o empreendedorismo se reforça como alternativa de geração de renda e de emprego e se beneficia diante de novo público com mais condições de comprar serviços e produtos.

Do total de 11,7 milhões de brasileiros que moram em favelas, cerca de 20% vivem economicamente de pequeno negócio. Quase a metade desses empreendedores iniciou a atividade há menos de três anos, em sintonia com o incremento do poder de consumo registrado no país nos últimos anos. Os dados são de pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular, com apoio do Sebrae, que sinaliza para movimento positivo na realidade socioeconômica de 63 comunidades.

O estudo ouviu 2 mil pessoas e revelou avanços do empreendedorismo nas favelas: 64% dos donos de pequenos negócios entrevistados informaram que estão indo bem ou muito bem na atividade. Outros 30% avaliaram o andamento dos negócios como estável e 90% dos empreendedores nas favelas esperam manter ou expandir os negócios nos próximos 12 meses.

Os pequenos negócios encontram grande potencial de consumidores. A pesquisa indicou que 65% dos moradores das comunidades entrevistadas pertencem à classe média. O poder de consumo desse público está estruturado mais no aumento de trabalhadores formais e menos nas políticas de transferência de renda. Os moradores das favelas possuem renda anual superior a R$ 63 bilhões, valor próximo ao Produto Interno Bruto (PIB) da Bolívia, por exemplo.

O Sebrae está trabalhando diretamente com esses empreendedores para aumentar a riqueza. Exemplo são as ações que vêm sendo executadas no Rio de Janeiro, onde a coleta de dados e os atendimentos empresariais foram viabilizados com o trabalho de pacificação em favelas antes dominadas pelo tráfico de drogas. Até setembro deste ano, o Sebrae atendeu nos territórios pacificados cerca de 3 mil donos de negócios, com mais de mil formalizações de empreendimentos. Desde 2010, quando começou o trabalho, foram feitos mais de 30 mil atendimentos. A experiência carioca está sendo replicada em oito estados e deve ser expandida.

O empreendedorismo nas favelas foi muito estimulado com a criação da figura do Microempreendedor Individual (MEI), em 2009, que incentivou a formalização de quase 4 milhões de pessoas em todo o país. São profissionais que trabalham por conta própria, com faturamento bruto anual de no máximo R$ 60 mil. A formalização é gratuita e sem burocracia: pode ser feita em poucos minutos pela internet (portaldoempreendedor.gov.br). A carga tributária mensal é inferior a R$ 40.

O aumento da legalização dos negócios é ótima notícia. Podendo emitir nota fiscal, o empresário tem acesso a mais oportunidades no mercado e o governo ganha em arrecadação. O exemplo dos microempreendedores individuais ilustra bem os impactos positivos da desburocratização e do ambiente legal favorável ao empreendedorismo. Nossa projeção é que os MEIs serão a principal modalidade de negócio a partir de 2014.

Os MEIs são destaque no crescimento significativo dos pequenos negócios no Brasil nos últimos anos. São quase 8 milhões de empreendimentos atuando em todas as regiões. O melhor é que o crescimento veio acompanhado de mais qualidade. Há uma década, metade das empresas fechava as portas antes de completar dois anos, período mais desafiador para se manter no mercado. Atualmente, de cada 100 novas empresas, 76 conseguem superar a fase crítica inicial. O quadro positivo é reflexo direto de fatores como o aumento do nível de escolaridade dos empreendedores.

São indicadores positivos como esses que desejamos reforçar nas favelas. Dessa forma, será mais viável e mais rápido concretizar intenções manifestadas pelos entrevistados. O estudo apontou alta identificação dos moradores com as comunidades: 81% dos entrevistados gostam de viver na comunidade e 66% do total de pessoas ouvidas não quer sair da favela. Mais da metade dos entrevistados acredita que a favela melhorou e 76% creem que vai melhorar ainda mais.

Sem dúvida, o empreendedorismo tem muito a contribuir para realizar as expectativas. Quanto mais atividades empreendedoras, maiores a força e a estabilidade da economia de um país. Esse é caminho promissor para a melhoria da qualidade de vida não só nas favelas, mas em toda a sociedade brasileira.

Fonte: Brasil 247