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Notícias de Beleza

8 de março – Dia Internacional da Mulher: reflexão é pauta do dia

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Sempre que o dia 8 de março se aproxima, ouvem-se perguntas do tipo: Por que "Dia Internacional da Mulher"? Por que um dia especial para as mulheres? As mulheres já não conquistaram o seu espaço na sociedade? A resposta a essas questões é complexa e envolve a cidadania das mulheres. As mulheres "conquistaram" sim seu espaço, luta essa que aos homens foi desnecessária, posto que já havia um espaço reservado a eles; à mulher, restou a busca por reconhecimento como sujeito de direitos.

De fato, muitas conquistas são atribuídas às mulheres, resultantes da luta por "autonomia e igualdade". Mulheres jovens, adultas, idosas, negras, não-negras, indígenas, profissionais liberais, funcionárias públicas, donas de casa, políticas, mulheres de todos os segmentos da sociedade brasileira e mundial estão empenhadas em contribuir para o fortalecimento da cidadania das mulheres e a garantia de seus direitos na área da saúde, segurança, trabalho, habitação, cultura, educação, política, entre outros.

Das conquistas já efetivadas, uma ainda requer muito empenho e conscientização: o direto a não-violência. A violência contra a mulher se insere em uma problemática que, necessariamente, envolve questões ligadas à igualdade entre sexos. Trata-se de tema de grande complexidade, em função da carga cultural e ideológica contida nele. Foi culturalmente que homens e mulheres aprenderam que os homens eram superiores às mulheres e, por isso, eles deveriam ser obedecidos e respeitados. As mulheres viviam sob o domínio dos pais e depois passavam ao domínio dos maridos; se ficavam viúvas, aos filhos cabia a tarefa de "cuidar" das mães... Muitas mulheres ainda vivem sob essa dominação masculina, especialmente dos maridos e companheiros. As mulheres se submetem ao poder do ser masculino, não porque eles sejam superiores, mas porque assim aprenderam a viver. Modificar essa situação depende de ampla mudança social, que promova igualdade, sem esquecer as diferenças que existem entre homens e mulheres, diferenças essas que não podem ser lembradas, pelo viés da violência.

Duas das mais expressivas políticas públicas implantadas no Brasil para o enfrentamento da violência contra a mulher são as Delegacias da Mulher e a Lei Maria da Penha. Em Araranguá, a Delegacia da Mulher foi instituída em 1989 e, apesar desses 24 anos de atuação, essa Delegacia Especializada (provavelmente as de outros municípios também), ainda enfrenta dificuldades para atender seu público específico: as mulheres vítimas de violência doméstica, especialmente em função de que a questão da violência requer um atendimento multidisciplinar, que vá além da prática policial, da repressão, mas que promova mudança nas relações entre os envolvidos pela violência. Já a Lei Maria da Penha, em vigor desde 2006, ainda requer muito debate e atenção por parte de toda a sociedade para que cumpra, efetivamente, o seu propósito de atuar na prevenção da violência, na proteção às vítimas e na punição de agressores, evitando a sensação de impunidade e garantindo a eficácia no combate à violência. Tal instrumento jurídico é comumente "mal vista", por homens de todas as classes sociais, porque, erroneamente, é entendida como uma lei "contra os homens".

O Mapa da Violência 2012 mostra que uma em cada cinco mulheres já sofreu violência dentro de casa e que em 80% desses casos os agressores são namorados e maridos. Percebe-se então que as mulheres conquistaram espaços na sociedade, mas continuam se submetendo ao poder relacionado à "força" dos homens com quem convivem. Por quê? Até quando? Não é questão de dizer que a Lei Maria da Penha é contra os homens, mas é preciso envolver homens no debate sobre a violência contra a mulher, a fim de que noções equivocadas possam ser desconstruídas. Esse é o papel da Campanha "Homem de Verdade não bate em Mulher", lançada em 2012, pelo Banco Mundial. Que tenhamos, então, mais um 8 de março, cuja reflexão sobre a cidadania das mulheres, esteja na pauta do dia.

Márcia Cristiane Nunes Scardueli - Agente de Polícia / Delegacia da Mulher de Araranguá (DPCAMI)

Fonte: Engeplus Notícias