Notícias de Beleza

Quero ser mulher!

Texto de Tamires Marinho.

Não se nasce mulher, torna-se uma…

Decidida, livre, madura e independente…

liberdade

Foto de Kara Harms no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Ouve-me bem! Quero transpirar força, seriedade, auto-confiança, autossuficiência. Viver numa dualidade dilacerante, ser mais forte do que eu. Quero ser aquela que suporta tudo, que aguenta o tranco.

Que tem liberdade de dizer e fazer coisas sem sentido, com uma profunda forma de atingir os paralelos. Quero saber de mim, decidir tudo, estar preparada para escolher entre as coisas mais fáceis e as mais difíceis. Quero ser a mulher que abre o jogo, só não conta todos os fatos da vida, secreta por natureza. Com segredos não revelados a ninguém, nem a Deus, nem a mim mesma, segredos fechados a sete chaves, ser surpreendente mesmo depois que saibam tudo a meu respeito, ser um eterno mistério intacto.

A que administra trabalho, amizades, família, que cuida do corpo, que transpira desejo, que tem múltiplos orgasmos e incansáveis noites de sexo. Aquela que não tem que provar nada, que não quer servir a pátria amada. Aquela que não deixa se dominar pelo ciume, porque é segura, desencanada e descolada e consegue ir a frente sozinha, até que talvez encontre um bólide que a rebente um lado mais doce; mas que mesmo assim não se conforma, não se submete, não se da por vencida. Uma mulher como Cecilia Meireles que desmorona e se edifica, permanece e se desfaz.

Também quero ser vista como frágil, quero apresentar aspectos de menina, delicada, meiga, doce, bondosa e compreensiva. Transitar em espaços aos quais supostamente possa pertencer. Quero ser como qualquer menina com um futuro brilhante, mas que resolveu ser quem é, e ver no que poderia dar. Talvez possa ser afeminada, passiva, excêntrica, depravada, caminhoneira, sapatona, vadia, puta, biscate. Talvez possa ser uma mulher, estranha, subversiva, corrompida, ambígua, dúbia, confusa, desconfiada, viada. Talvez possa ser uma mulher como Ana Carolina, feita pro amor da cabeça aos pés.

Quero ser mulher sem pressões externas, sem ninguém falando por mim. Não quero ser a mocinha que fecha as pernas, usa vestido e esta sempre apresentável. Não quero ser a mocinha que foi ensinada a não correr riscos, aquela que não pensa demais. Quero ser a mulher sem repressão!

Aquela que se toca sem achar feio, que faz questão de descobrir o próprio corpo, descobrir o que lhe dá prazer. Não! Eu não quero ser uma moça de respeito. Quero ter um comportamento totalmente inadequado, sem me preocupar com o que estão pensando. Sem estar a procura de um bom reprodutor, sem precisar do macho-alfa, a mulher que usa a roupa que quer, que vai para a balada quando quer, que dorme com quem quer.

Sim, quero desafiar a regra, tendo a liberdade de ser eu mesma. Não quero corresponder as expectativas. Quero poder decidir entre refazer e desistir a medida que me convém. Ter o poder de decidir sobre mim, por mim e para mim.

Radical, chata, feminista.

E se amanhã não for nada disso, e tudo for hipocrisia, gente vazia, eu tiro um arco-iris da cartola. Refaço, colo, pinto e bordo.

Tamires Marinho.

Tamires Marinho.

Autora

Tamires Marinho é apaixonada pelo comportamento humano e pelos conhecimentos empíricos da vida. Clarice Lispector é meu lado escritora, Darcy Ribeiro me faz socióloga, Beauvoir é minha militância. Escritora amadora, psicóloga mal formada e historiadora em desenvolvimento. Me orgulho, defendo tudo que sou e acima de tudo: Sou mulher! Perfil no Facebook.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Blogueiras Feministas