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Calor da menopausa pode ser tratado com reposição hormonal

É muito comum se ouvir dizer que uma mulher "está na menopausa" ou "está no período da menopausa". O termo menopausa é, muitas vezes, usado incorretamente para se referir ao período do climatério feminino. De maneira simplificada, pode-se dizer que a menopausa é o último ciclo menstrual da mulher, que é definido pela ausência da menstruação por um ano, no mínimo. Por exemplo, se uma mulher está há cinco anos sem menstruar, sua menopausa se deu há cinco anos e agora se encontra no período pós-menopausa.

Já o climatério envolve todo o tempo de transição entre o período reprodutivo (fértil) e não reprodutivo da mulher. Durante esse intervalo de tempo, ocorre redução gradual e progressiva da fabricação de hormônios femininos pelos ovários. O climatério se inicia por volta dos 40 anos e se estende até, aproximadamente, os 65 anos. Dessa forma a menopausa (última menstruação) ocorre durante o período de climatério.

É no climatério, devido à redução da produção dos estrógenos, que aparecem as tão conhecidas "ondas de calor" (sintomas vasomotores ou fogachos). Nem todas as mulheres têm fogachos, mas estes sintomas são a "marca registrada" desta fase. Até 75% das mulheres enfrentará esse problema durante o climatério. A intensidade e a frequência dos fogachos são muito variáveis. Pode ser leve e não trazer grande transtorno à mulher. Contudo, muitas experimentam sintomas intensos. Enquanto algumas mulheres podem apresentá-los apenas esporadicamente, outras podem tê-los várias vezes por dia resultando em grande impacto negativo na qualidade de vida.

Infelizmente, ainda não há maneira de prevenir o aparecimento de fogachos e as mulheres afetadas necessitam de tratamento para amenizá-los. A adoção de mudanças comportamentais como a prática regular de atividades físicas e parar de fumar podem contribuir para redução da intensidade das "ondas de calor". A adoção de medidas para evitar o aumento da temperatura corporal, tais como a ingestão de líquidos frios, usar roupas mais leves, procurar ambientes mais frescos e evitar a ingestão de alimentos quentes e apimentados podem ajudar na redução dos "calores". Obviamente, isso é muitas vezes impraticável e insuficiente para o controle dos sintomas vasomotores. 

Os fogachos podem ser capazes de afetar drasticamente a qualidade de vida da mulher, que necessita de tratamento para minimizar o desconforto provocado por esse sintoma.

O tratamento mais efetivo para os fogachos continua sendo a terapia de reposição hormonal (TRH) que visa empregar os hormônios femininos, uma vez que sua fabricação foi drasticamente reduzida pelos ovários. Há muitas formas de realizar a reposição hormonal, que pode incluir apenas o uso do estrógeno (para as mulheres que não têm o útero) ou a combinação do estrógeno com a progesterona. Atualmente, recomenda-se a realização precoce da TRH, isto é, nas mulheres com idade entre 50 e 59 anos. Deve ser evitada quando já se passaram 10 anos após a menopausa ou nas mulheres após os 60 anos. A TRH é capaz de reduzir o aparecimento dos fogachos em até 90% das mulheres. No entanto, alguns estudos sugeriram que a TRH pode, por exemplo, aumentar o risco de doenças tromboembólicas, AVC, câncer de mama e câncer de endométrio do útero. Assim, é importante avaliar com muito critério a presença de contraindicações. Além disso, muitas mulheres tem receio ou não toleram a TRH, porque têm efeitos indesejáveis. 

Por isso, atualmente, há grande interesse na pesquisa de outras formas de tratamento para reduzir os fogachos. Vários medicamentos vêm sendo estudados com essa finalidade, incluindo desde os que agem no sistema nervoso, como alguns antidepressivos e anticonvulsivantes, até anti-hipertensivos. Alguns deles se mostraram eficientes para redução dos sintomas vasomotores. A acupuntura já foi, também, avaliada e os resultados encontrados foram conflitantes. Entretanto, um estudo recente demonstrou que a acupuntura tradicional pode ser útil para esse fim.

Já foram investigadas várias outras estratégias de tratamento (exercícios, yoga, vitamina E, fitoestrogênios da soja - isoflavonas - etc.) cuja eficácia ainda não foi bem estabelecida.

Assim, embora haja muita controvérsia sobre a terapia de reposição hormonal (TRH) para as mulheres que estão no climatério, esta alternativa continua sendo a mais efetiva para a melhora dos fogachos, além de poder aliviar outros sintomas como, por exemplo: a depressão, a irritabilidade, a insônia, o ressecamento vaginal e a redução do desejo sexual. Contudo, as sua utilização requer uma avaliação criteriosa do médico, por causa de suas contraindicações e possíveis efeitos colaterais.

 Quando a mulher apresenta sintomas, a utilização da reposição hormonal deve ser considerada, pelo menos por curto intervalo de tempo. Se não houver contraindicações formais (Quadro 1), a prescrição da TRH deve levar em consideração os riscos e os benefícios para cada mulher. A decisão de utilizar a TRH deverá ser sempre realizada de comum acordo com a paciente, após o devido esclarecimento.

 Na impossibilidade da realização da TRH, pode-se optar pelos tratamentos não hormonais, uma vez que os fogachos podem ser suficientemente perturbadores para promover grande limitação da qualidade de vida da mulher.

Morrow PKH et al. Hot Flashes: A Review of Pathophysiology and Treatment Modalities The Oncologist. 2011;16:1658-1664.

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Costa RR & Primo WQSP, Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia. Climatério: Atenção Primária e Terapia Hormonal. Projeto Diretrizes da Associação Médica Brasileira e do Conselho Federal de Medicina; 2008.

Referências
Pardini D. Terapia de reposição hormonal na menopausa, Arq Bras Endocrinol Metab. 2014;58/2.